terça-feira, 10 de julho de 2007

DIÁLOGO, FRAGMENTOS E COMPLEMENTARIEDADE

Vejo-me cada vez mais ‘inte-grado’ ao cosmos. É constante minha “assimilação”; pareço-me com um lagarto, ou dito de modo outro, sou um mosaico – este, ‘alter-inte-grado’, ou seja, apesar das diferenças, abriga uma complementariedade, donde o contínuo fluxo ‘alter-inte-gra’ o devir devindo; e, nota-se bem, o ‘apesar’ não conota uma depreciação às diferenças, pois, as diferenças conduzem-nos pelas veredas misteriosas. Se estou a dar passos, a ver algo, a cheirar, a ouvir, a degustar, a inteligir, indubitavelmente o ‘alter’ - Outro(a) - está por me ‘inte-grar’. Então, algo complementa-me? Caso seja de inteira afirmação à resposta a esta inquirição ‘somos’, inegavelmente, temos o ‘eu’. Pois. Vejamos bem, algo outro, é-o, parece-me, somente enquanto diferente; o ‘eu’ necessita de tal ‘algo outro’ se se quer complementar.
Mas, a todo instante irrompe a noção escatológica mórbida; o saber de minha iminente ‘des-inte-gração’ cosmogônica vivencial faz-me sofrer demasiadamente, atormento-me. Hölderlin, alhures, escreveu: «às vezes, vivi em mim mesmo, numa solidão magnífica; acostumei a sacudir de mim as coisas exteriores como flocos de neve; como iria então recear procurar a assim chamada morte? Não me libertei milhares de vezes em pensamentos? Por que deveria então hesitar em fazê-lo realmente uma vez? Será que estamos agrilhoados ao solo que cultivamos como servos dependentes? Somos então como aves domésticas que não ousam deixar o quintal, pois é lá que recebem comida?» Hölderlin certamente nos provoca; pensa-nos como algo não inexoravelmente «agrilhoados ao solo», pois somos entes metafísicos; abrangemos para lá do «solo», podemos, e, é-nos certa a vereda para lá do «quintal». Ademais, ‘somos’, e não apenas palpável. Porém, como fora dito, sou mosaico; então surte a demasiada humana “vontade ‘permanencial’”; a ‘des-inte-gração’ cosmogônica vivencial é-me crucial, as veredas são percorridas ininterruptamente com esta noção; a que, não posso escrever de maneira outra, complementar-me-ei? Bela Genoveva? A Bela Genoveva, neste momento, está noutra instância? Parece-me não ser assim, pois vejo-A, toquei-A uma vez, sentir algumas vezes o suave odor Dela. Por isso, sofro. Amei, Amo e Amarei a Bela Genoveva! Veja, não estou a sentenciar o único Amor. Amo-A, isto é fato. A Bela Genoveva ‘des-inte-grará’ cosmogônica vivencialmente de mim? Sim, mas, e para lá do «solo», do «quintal»? Acompanha-me eternamente, Bela Genoveva!

Apátrida: isso é que sou, somos? Digo não apenas do país Brasil, pode-se dizer também do País, pois nem falo, nem escrevo o idioma Português bem, ou seja, não comunico-me com o ‘alter’ – Outra(o) - plenamente; ressalto preponderantemente a questão: somos um ‘torrão’ deste cosmos, e, somo-o assim como somos, ou, devemos resignar-nos deste devir cosmogônico e prontificar-nos à um real e nobre ‘além-cosmos’? O romântico Novalis escreveu: «Por toda a parte procuramos o Absoluto e nunca encontramos senão objetos.»; «Espírito da terra, o teu tempo passou!» Ora, encontramos algo, o Amor, e, este Amor não pode vir a lume apenas dos confins do pensamento, como o quis Novalis, mas o nascer da Amabilidade arraiga-se irremediavelmente a complementariedade da ‘inte-gração’ cosmogônica vivencial com o para lá do «solo», o para lá do «quintal». ‘Somos’ Tudo, o Todo? Somos privilegiados, vivemos em tempos que Espírito e Terra são presentemente complementares.

2 comentários:

Paulera disse...

terei de ler novamente pra entender o final!

Raskólhnikov disse...

Ao perguntar se somos apátridas, pergunto se somos solipsistas; ou, mais propriamente, se não estamos individualmente definhando, se já não nos abandonamos, se não nos deixamos, viajamos rumo à “lugar” algum. O Amor não é uma construção de um pensar solitário; há-de se ter um “TU”, que manifeste vida, que fale, chore, sorri, gesticule, pisque, salive, exale odor, calor; esse “TU”, vivencialmente possibilita a amabilidade. Pois, note bem, tal “TU” têm elementos, que aqui podemos dizer metaforicamente, componentes do ‘Tudo’ que é a “Terra”, também é o “Todo”, que não é senão o “Espírito”. Podemos ‘ser’ de maneiras e modos vários, muitas ‘coisas’, todavia, estamos ‘sendo’, e o que vimos a ‘ser’ sem ter em conta os ‘outros’?