sexta-feira, 7 de maio de 2010

Isso é tudo, pessoal!



Um Cachorro Bravo quase morto cita:

Eu faço versos como quem chora
De desalento, de desencanto
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo algum de pranto

Meu verso é sangue, volúpia ardente
Tristeza esparça, remorso vão
Dói me nas veias, amargo e quente
Cai, gota a gota, do coração

E nesses versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre
Deixando um acre sabor na boca
Eu faço versos como quem morre.
(Desencanto, Manuel Bandeira)
___________________________________________________

Acho que deu pra sacar que eu tô saindo daqui.
Foi legal. Foi surreal. Foi triste. Foi nosso.
Vou continuar, vez por outra, no Clube. Também devo me aventurar em outra empreitada virtual.

Beijos, abraços, apertos de mão e acenos de longe.
Ah, e o último que sair, apaga a luz.

Hammurabi

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Dizeres de Jó

"Que é o homem, para que faças caso dele,
para que dele te ocupes,
para que o inspeciones cada manhã
e o examines a cada momento?" [7, 17-18]
"Mas o homem nasceu para o sofrimento,
como as faíscas sobem para o alto." [5, 7]
"Somos de ontem, não sabemos nada.
Nossos dias são uma sombra sobre a terra." [8, 9]

"Teria por apoio o nada" [6, 13]


A lição de Anatomia do Dr. Nicolaes Tulp

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Nice to meet you, anyway

Um Cachorro Bravo escreve:

É galera.

Eu tinha planos.

Sempre fui do tipo que gosta de reuniões. De rir junto. De apagar incêndios. De fazer a paz.

Não é autopromoção.

A reunião que eu gosto não é qualquer reunião. Eu não acho graça de todo mundo. Eu deixo muito circo pegar fogo e mesmo não gostando de guerra, pra algumas eu lavo as minhas mãos.

Acabou a faculdade.

O fim foi meio melancólico. Nos dividimos. Nos vimos no meio de situações pelas quais não agimos em prol, não as imaginamos antes e mesmo não as queriamos.
Apenas fomos arrastados à uma ruptura em vários sentidos.
Casais, amigos, grupos, sonhos e futuros foram separados pela intrincada rede de acontecimentos que permeia e caracteriza a nossa vida.

A vontade é manter algum traço de união.

É por isso que planejamos festas, organizamos reuniões, avisamos que tem boteco na quinta. É por isso que eu adicionei mais pessoas no orkut nos últimos meses do que eu adicionei no último ano. É por isso que idealizamos a clínica.

O tempo e a distância são implacáveis.

Alguns contatos, não amigos, permanecerão algum tempo no MSN, Orkut e Facebook. Com o tempo alguns serão bloqueados. Outros já o são agora. Em pouco tempo seremos diferentes uns dos outros e indiferentes uns aos outros. Vamos crescer um pouco mais.

Talvez restem lembranças.

Vamos crescer, vamos envelhecer, vamos casar, vamos nos mudar, vamos ter filhos, vamos enlouquecer, vamos reformar, vamos ter sucesso, vamos fracassar e vamos morrer.
A gente vai se topar num bar; em alguma festa; na rua; num shopping; num enterro.
Vamos dizer: "Oi, caramba! Quanto tempo! Como você tá mudado!".
E no fim , a gente vai se despedir assim:

-De qualquer forma, foi legal te encontrar.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

PCC-Percepção de Conclusão de Curso

Um Cachorro Bravo escreve:

Bibliografia obrigatória nos TCC's dos orientandos do Fauzi



Tornar-se Pessoa, Carl Rogers.

Bibliografia obrigatória nos TCC's dos orientandos da Amélia


Cultura e Saúde nas Organizações, Álvaro Tamayo


Bibliografia obrigatória nos TCC's dos orientandos do Coelhinho, se eu fosse como tu...



Ciência e Comportamento Humano, B.F. Skinner.

Bibliografia obrigatória dos orientandos da Mafald... Sanmia



A Construção do Real na Criança, Jean Piaget.

Bibliografia obrigatória dos orientandos da Valeska



www.contoerotico.com.br, vários autores.

domingo, 30 de agosto de 2009

O Moto da Vida

Um Cachorro Bravo escreve:

Fazia algum tempo que eu não conseguia chorar, de verdade, por algo que não fosse necessariamente triste. Sabe? Só se sentir emocionado a ponto de chorar.

Enfim, como pra tudo na vida, eu sei que tem uma razão externa que desencadeia reações em mim e que consequentemente geram mudanças no meu mundo. Eu não vou dizer qual é a razão pro meu choro, por que no fim das contas eu acho que ela não é muito importante. O importante mesmo é a reflexão que vem junto com o choro. E a primeira coisa que eu pensei foi:

-Thiago, o que você está fazendo?

Pode ser que essa pergunta já estivesse no meu inconsciente antes de assumir todo esse simbolismo. Muita gente me pergunta isso todos os dias. A minha mãe me pergunta isso. A minha chefe me pergunta isso. A minha namorada me pergunta isso. O Twitter me pergunta isso.

Só que fazia tempo que eu não respondia algo que não fosse substancialmente lacônico como: "eu tô vendo TV", "Eu tô respondendo os e-mails do incompetente de Goiânia", "Eu tô tentando ser engraçado pra você", "Eu tô chutando o cachorro".

Mas indo um pouco além dessa epiderme de vida, tem muita coisa que eu também tô fazendo. É fato que eu tenho vivido como um doente. Eu tenho entristecido minha mãe. Eu tenho maltratado o meu cachorro. Eu tenho bloqueado muita gente no MSN. Eu tenho reclamado demais e feito muito menos.

A vida passa, o vigor cessa e eu tenho agido como se estivesse apenas esperando o meu dia chegar. Eu começo a admitir que eu tenho aspirações imediatistas, como melhorar de emprego e beber cada centavo dos três mil reais que eu vou pagar pela minha formatura. São, como eu disse, aspirações imediatistas em vez de sonhos e projetos. Esse estilo de vida tem afastado boas pessoas que realmente importam e atraido outras tão hedonistas quanto eu.

Eu agradeço então a Deus pelos bons amigos que ainda me cercam e para os quais eu sei que sou realmente inestimável. E assopro a poeira de sobre os sonhos que eu enterrei em algum lugar do esquecimento.

Eu quero sair de Brasília mas não pode ser apenas por puro asco da cidade. Tem que ser por que eu quero a qualidade de vida que eu não consigo ter aqui. Independente dos obstáculos presentes, eu sei que é possível que eu me especialize na área que me traga maior realização profissional. Eu quero ir a São Paulo com tempo suficiente pra encontrar o Lucas e bater um bom papo tomando aquela cerva. Eu quero me sintonizar com a pessoa certa, que talvez eu já tenha encontrado, e só precise ficar aberto para o que ela quiser me oferecer.

Por hoje já foi muito bom ter revisto o Pepe e ter esboçado a composição de uma música com ele e o Fernandinho. Foi ótimo saber do nascimento do bebê do Andy e foi muito bom ter tido esse facho de reflexão.

Agora tá na hora de dormir. Mas eu quero amanhecer com esse mesmo espírito pra encarar a vida tendo dentro de mim um dia ensolarado, ainda que lá fora arme-se uma tempestade.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

E se a gente também tiver um Obama?

Um Cachorro Bravo escreve:

Geralmente antes de começar a postar alguma coisa sempre me vem uma frase que eu considero de maior efeito ou que automaticamente levaria o leitor a se envolver com o texto, como que familiarizando-o. Hoje essa frase de efeito não veio. Deve ter perdido o ônibus que eu peguei e ainda deve tá lá na parada em que eu sempre desperdiço bons minutos da minha vida.

Sinceramente eu não queria que o clima fosse assim tão melancólico, mas o problema é que os dias tão cada vez mais sombrios. Nunca a famosa frase do Tio Chagas: "A ignorância é uma benção", ou a variável mais poliana da Talita: "a ignorância é a mãe da felicidade" fez tanto sentido como agora.

Pode ser efeito dos filmes que eu ando vendo. De uma tacada eu assisti Presságio (Knowing, Paris Filmes,2009), Independence Day (Independence Day, Fox, 1996) e uns traillers do 2012 (2012, Columbia, 2009).

A idéia do fim assombra. Eu já disse uma vez que a gente carrega a centelha da eternidade, por isso a gente não gosta de pensar a própria morte.

Então é isso? Eu nunca imaginei que o conhecimento pudesse ter limite. Mas a impressão é que nós estamos chegando muito perto do máximo de nossa capacidade de armazenamento e compreensão. Se o Tio Darwin estiver certo, eu acho que a raça humana não teve tempo suficiente pra evoluir a ponto de poder comportar toda a carga de informações que é lançada sobre ela diariamente.

A gente sempre soube que a Record é bancada pela Igreja Universal do Reino de Deus. Só que nem sempre a gente se deu conta de que a Globo sempre foi bancada com dinheiro público, o que é mais imoral ainda. E mais. Se a Record tem presença cativa nos púlpitos neopentecostais da igreja do bispo Macedo, não deixa de ser notório o envolvimento explícito da Rede Globo com o espiritismo, tema constante de seus folhetins e sempre alvo de marketing positivo na grade de programação da Platinada.

Todo mundo sabia que o Sarney roubava há mais de 25 anos, quando entrou pra política. Mas o povo não tava nem aí. Tinha até o lance da galera achando engraçado ser "fiscal" do Coronel do Maranhão.



Por que justo agora a galera tá se sentindo enojada, colocando nariz de palhaço e tocando o tema do Poderoso Chefão quando o Sarney passa? Mas que pá de povo burro! Ou seria povo de memória seletiva demais?

Por que agora o povo tá zoando com as caretas do Collor? O povo que hoje se enoja das caretas do senador e apoia as pilhagens do CQC é o mesmo povo que antes achava o Collor um tesão (Ah, galerinha pop que chupa as bolas do careca do CQC! O senhor Marcelo Tas vive na FIESP¹ e é um dos garoto-propaganda do Senhor Burns Serra).

Todo mundo achando ridículo o Lulinha Marolinha chafurdando na lama do senado, abraçando todo tipo de porco. Comportamento no mínimo esquizofrênico um líder tão aclamado internacionalmente beijar as botas desses coronéis. Mas o Sapo Barbudo sabe que tipo de desgraça DEMoníaca pode assumir a presidência do Senado se o El Bigodón cair. Os tucanos voam como urubus em cima da crise que eles mesmo inventaram.

Todo mundo sabe disso.

Mas não pense você que eu tô com a outra galerinha que acha que manter a hegemonia do torneiro-mecânico é o melhor pro Brasil. Dilma nem pensar. Não sinto firmeza nesta senhora e imagino que ela seria apenas uma marionete nas mãos de gente como o Genoíno e o Dirceu.

Torço para que a Marina se candidate. As chances de que ela vença as eleições de 2010 são ínfimas. Principalmente se ela se filiar a um partido podre como o PV. As propostas de campanha que ela provavelmente defenderá também não estão de acordo com o tipo de barganha a que o povo brasileiro está acostumado a lidar. Desenvolvimento Sustentável? Proteção pra Amazônia? Expurgo da floresta de ONG's estrangeiras oportunistas?

Pro brasileiro isso é grego.

Em geral, o nordestino tá querendo o arroz e feijão certo de cada dia. Amazônia é coisa de índio. Pode mandar tocar fogo naquele matagal.

Pro pessoal do Centro e Sul do País, o melhor a se fazer é se livrar do nordeste, declarar independência e vender a Amazônia pra gringada.

Marina da Silva na presidência é uma Utopia. Se por algum milagre inexplicável e fora de cogitação, pelo menos pra mim neste momento, ela fosse eleita, teríamos um motivo de orgulho muito maior do que o Lula frente as demais nações do mundo. Ela representa um ideal de honestidade e luta que não é perceptível em nenhum outro político brasileiro. Nem mesmo no Lula.

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¹ TAS, FIESP e RPNC: O Careca do CQC, que sempre faz uma pose de cidadão indignado no programa da Band, é assíduo frequentador da FIESP, um antro da Direita. Ele é brother de um playboy chamado Sérgio Morisson, que promove o movimento Rir Para Não Chorar (RPNC). Ultimamente o RPNC distribuiu narizes vermelhos para que meia dúzia de palhaços protestassem contra o Sarney e os incentivou a exigir, via Twitter, a renúncia do senador comedor de farinha de puba. Esse movimento descende do CANSEI, outro rompante da classe média desocupada de São Paulo, que teve a audácia de fazer campanha política às custas do sofrimento dos parentes das vítimas do acidente da TAM em 2007.
Enfim, o que eu acho engraçado, e eu acho graça pra não chorar, é que o careca finja fazer jornalismo humorístico-investigativo, quando na verdade tem cor partidária. E ela é de um azul-tucano da cor do FHC.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

É o Começo do FIM

Um Cachorro Bravo escreve:

Quando começou a onda da galerinha dizer que o Orkut era coisa de brasileiro e indiano sub-desenvolvido, que chique mesmo era ter um Facebook, eu não liguei.

Quando criaram uma comunidade pra Bicha Muda de Juazeiro, eu não liguei.

Quando o pessoal começou a sair do armário pelos álbuns, páginas de recados e comunidades de gosto duvidoso do site azulzinho, eu continuei sem ligar.

Eu não liguei a mínima pro advento do Twitter.

Mas agora que até esse pessoal aqui tá criando perfil no Orkut, eu, como diria a sra. Duarte, estou com medo. Muito medo.

Orkut do Gilzinho. Clique pra ampliar.



E o Lulinha Marolinha.


Podem ir preparando o enterro e as flores.