segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Aquela Redação Infantil- Parte II

Cheguei inteiro no Bairro Castelo Branco, Rua Bandeirantes, nº 1298.
Lá uma idosa, augusta e sorridente senhora me esperava sentada numa cadeira na soleira. Mal me ajudou a por a mochila para dentro de casa, já foi me puxando as orelhas:
-Cabra sem-vergonha!!! Por que tu não me avisou que ia demorar tanto?
Minha avó materna está com 68 anos. Forte, bonita e guerreira.
Ela Mora com um neto, o Gatão primo Cleyton. Esse é outro batalhador. De segunda a sábado, ele trabalha de 07 da manhã às 06 da tarde no Armazém Paraíba, uma espécie de Casas Bahia daqui do nordeste. Em época de férias escolares, ele chega a ficar na ralação até a meia-noite. Tudo isso pelo indecente soldo de R$ 400,00. Mas esse lida toda não tira o fôlego do rapaz. Só pelo tempo que fiquei em Caxias eu contei três namoradas fixas. É impressionante a maneira como ele dispôs geográficamente os affair's de modo a elas não se encontrarem. Mais impressionante ainda é o fato de ele conseguir tempo pra todas elas.
O clima em Caxias é bem mais aceitável do que o de Teresina. Meu tio Zé brincou dizendo que:
-"Quando o cabôco morre e tem que ir pro inferno, antes ele faz um estágio em Teresina".
Tio Zé é uma figura singular. Com ele tive a certeza que a indecência pode ter um fator genético. Perto dele me sentia praticamente um sacerdote. Era muita patifaria pra um bigode só. Seis anos depois foi muito bom rever essa parte da família. Mesmo com a ponta de tristeza que dava ver minha bizavó que não me reconhecia mais e com a minha avó paterna que, aos 88 anos, passou o tempo todo em que fiquei com ela me perguntando quantos filhos eu tinha e, quando eu dizia que não tinha filhos e nem era casado, ela me perguntava de volta se isso era por eu ser muito sovina.
Embora a temperatura tenha diminuido bastante, os banhos se tornaram um ritual. Antes de qualquer atividade era necessário passar pelo chuveiro.
Vai tomar café? Banho. Vai almoçar? Banho. Vai "merendar" (caralho! Eu ouvi muito esse termo!)? Primeiro vai pro chuveiro. Vai na mercearia da esquina? Tome um banho. Vai f...? Já sabe...
A princípio eu estranhei muito que todo mundo me conhecesse e eu não conhecesse ninguém. Cheguei a me sentir mal por não responder as pessoas pelo nome e por elas saberem até onde ficam as minhas marcas de nascença. Por outro lado isso também teve um viés positivo. Virar atração turística me rendeu até MSN de filha de fazendeiro.
No mais, posso dizer que é uma cidade lindíssima e com muita coisa pra se fazer e conhecer, cheia de casarões, igrejas centenárias e monumentos históricos. Rica natural e culturalmente.
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Agora estou em São Luís. Voltei a ficar sem ar. Dessa vez não por causa do calor, já que está até fazendo um ventinho gostoso. A falta de ar foi por que eu acabei de ver o mar e conhecer o centro histórico.

Continua...

3 comentários:

Paulera disse...

o garoto do Centro-Oeste conhece o mar.
que bonito.

seria legal se tivesse fotos,
mas ainda tenho a que vc me mandou pra eu me divertir.

Hammurabi disse...

Tem foto sim Fidel. Mais de 200. Vou criar um fotolog só pra isso.

Abração!

lobinho disse...

Então as pessoas sabem das marcas que vc tem... (???) e vc seque as chama pelo nome... geralmente o que explica essa situação é embriaguez ou um acordo comercial de cunho sexual... Mas vamos deixar a tia Cardoso matar a saudade do Zé Pequeno sem maldade. Oh, cuidado que aí o povo não fuma maconha não, come o talo com farinha!