quarta-feira, 7 de novembro de 2007

PSICOLOUCOS

"Só não deixe a faculdade atrapalhar seus estudos".




Eu me amarro em percepção, que é como chamamos no IESB a disciplina Processos Senso-Perceptivos que o Professor Sérgio Henrique Alves leciona pro 4º e 7º semestre do curso de psicologia. Na verdade, eu acredito que não vou usar nada do que eu aprendo dessa disciplina numa futura atuação profissional, seja qual for o ramo em que eu ingresse. Salvo se daqui até ao final do curso eu tenha uma revelação à Là Saulo de Tarso e passe a reconhecer o real valor da psicobiologia (ou psicoboiologia) no estudo, previsão e controle do comportamento humano. Apesar disso, as aulas do Serginho têm me sido de grande utilidade na hora de compreender certos fenômenos corriqueiros e fúteis, mas que, de vez em quando, me roubam um pouco da atenção. Aqui eu vou retratar dois excelentes exemplos da importância da ciência da percepção na vida cotidiana. Acompanhem-me.

Percepção e passe livre para o Motel: Uma introdução.

A pupila é o componente ocular retrátil responsável pela proteção da retina, nervo óptico e demais mecanismos intraoculares quando da alteração da incidência de luz. No entanto ela também reage à estimulação oriunda do córtex cerebral quando certos neurotrasmissores relacionados às emoções são ativados.

Trocando em miúdos.

A pupila não contrái e dilata apenas quando há mudança de luminosidade. Ela também exibe o mesmo comportamento quando estamos com medo, alegres, tristes ou mesmo apaixonados.

Então malandro, da próxima vez que você sair com uma gatinha à noite, proceda da seguinte forma:
1º passo: Leve a moça a um lugar com iluminação fraca. Um restaurante à meia-luz, por exemplo.
2º passo: A título de tornar o encontro mais romântico, acenda velas. Na penumbra a pupila dilata-se. Com a luz da vela, ocorre uma leve contração.
3º passo: Preste atenção nos olhos da moça. Repare no diâmetro de dilatação da pupila.
4º passo: Fale coisas românticas e alterne com assuntos mais "ousados", de cunho sexual.
5º passo: Caso a pupila da moça se dilate ainda mais após ouvir suas cantadas, feche a conta e leve a moça pra um... você já sabe onde...

Percepção e falsos cognatos auditivos:
Trocando "alcinha" por "calcinha".

Outro dia, numa sexta-feira, estava eu absorto na sala durante a aula do Dr. Guto.
Àquela hora da manhã eu estava pensando em muitas coisas como:
-a viagem que faria no próximo feriadão;
-o que eu faria no fim-de-semana;
-se iria almoçar na Cantina da Branca ou no Asa Gaúcha;
-quais e-mails pornográficos do Adan seriam pra consumo próprio e quais eu poderia repassar e;
-em como a filha de uma amiga da minha mãe tinha ficado gostosa.
Do meu lado estava o Paulinho falando no quanto ele estava apaixonado pela Kaká e em como o pé dele estava descamando.

E eu lá, no Nirvana nível II.
De repente uma coisa que eu achei ter ouvido do Dr. Guto me "chupou" de volta à realidade. Me chupou mesmo! Foi como se eu tivesse ouvido aquele "SCHUAAAAAARRRPPPAAA!!!" que me succionou do mundo-da-lua direto pra 2ª cadeira da 1ª fila próxima à porta da sala JC6.
O que eu ouvi? Eu ouvi exatamente isso:

-A menina estava provocante de calcinha.

Por alguns segundos, não mais que alguns segundos, eu fiquei me perguntando quando foi que a aula de análise do comportamento sobre a formação de contingências de reforço dentro do comportamento verbal tinha descambado pro vestuário íntimo feminino.
Nem bem respirei, indaguei:

-Calcinha???? Calcinha de quem????

O Paulinho olhou pra mim e começou a rir macabramente. As tigretes, a Poderosa e o Dr. Guto também.

-Que calcinha rapaz! Eu disse que ela estava usando uma blusa de alcinha!
A-L-C-I-N-H-A!!!

(...)

Dr. Serginho responde.

O estímulo auditivo não chega no mesmo instante às duas orelhas. Fatores ambientais como o posicionamento da cabeça e ruídos interferem na velocidade de chegada do som a cada aparato externo auditivo e fatores internos como motivação, pré-disposição mental e dominância perceptual interferem na compreensão do estímulo percebido. Dessa forma, o estímulo auditivo de baixa frequência sonora que se propaga chegando ao canal auditivo mais próximo de uma pessoa que esteja desatenta poderá ser compensado pelo cérebro e, em caso de divergência entre o estímulo físico auditivo real e a compensação fornecida pelo cérebro, o ouvinte compreenderá de forma errônea a mensagem que lhe foi veiculada.

Trocando em miúdos II.

Quando se está voando durante uma conversa e parte do assunto desta conversa é relevante dentro do rol de interesses de uma pessoa, pode acontecer de a informação ir parar em sua maior parte em apenas uma orelha, por que assim como acontece com as mãos e os olhos, nós elegemos uma orelha como a dominante. Assim, a informação que estiver incompleta será compensada por conteúdos da mente do ouvinte e sofrerão influências dos interesses deste para a sua compreensão final. Ufa!

Um outro exemplo deste cômico fenômeno nordestinamente chamado de "malovido" aconteceu comigo novamente em outra ocasião (é, isso é uma constante na minha vida), numa visita ao Varjão. Eu estava no Centro do IESB em Ação e perguntei à moça que toma conta do Centro por que a cidadezinha tinha sido batizada com esse nome: Varjão do Torto.
Ela me explicou que o "Torto" vem da proximidade que o lugar tem da Granja do Torto, onde fica uma das residências oficiais do Presidente da República. Agora o nome Varjão, vem da vista aérea do lugarejo que lembra uma "varginha" (sic).
De novo eu não pensei antes de retrucar:

-O que???!!!!! Lembra uma vagina?????????!!!!!!!!!!

4 comentários:

Paulera disse...

hahahaha, nao posso dizer qual elejo a melhor!
provavelmente a da alcinha!
HAHAHAHAHA

Kaka disse...

"Do meu lado estava o Paulinho falando no quanto ele estava apaixonado pela Kaká..."

Nhou xD

Depois desse trecho, nem consegui ler o resto direito! hahaha
=***

Davi disse...

São fascinantes as tantas maneiras como podemos interpretar as "ações" humanas. Olhe só este ramo: processo senso-perceptivos, isso é mesmo incrível. Como disse, esta é uma maneira de abordagem, e, acredito, pede auxilio para outras, já que por aí não se pode ver dum modo sinóptico.
Muito bom o texto.

Alê disse...

Nossa, um modo científico de levar alguém pra cama...Adorei!!!

uahuahuahuahuahuahuahauhauhau!!