quarta-feira, 25 de março de 2009

Infração


Um Cachorro Bravo escreve:

BR 040, 23:40.

Acabo de sair da casa de um amigo. Dirijo em direção ao Sul do Distrito Federal, para a Cidade de Santa Maria. De longe percebo uma blitz em frente ao primeiro dos postos da Policia Militar Rodoviária (Ou qualquer denominação equivalente que eles tenham). Um PM magrinho solicita que eu pare o meu carro.

-Por favor, habilitação e documentos do veículo.

O PM confere os documentos por um ou dois minutos e, em seguida, solicita que eu ligue os faróis do carro.

-Muito bem. Sua luz de iluminação (sic) da placa traseira não está funcionando. Por favor, encoste o veículo pois iremos proceder um auto de infração.

-Porra, tô com esse carro há uma semana. Como é que eu ia ver essa luz de placa?
A reclamação vem acompanhada de um muxoxo inaudível.
-Caralho!

O militar magrinho segue com meus documentos para dentro do posto e passa algum tempo pesquisando onde pode me enquadrar na tabela de infrações do Código de Trânsito Brasileiro.

-Infração média. Trafegar sem devida iluminação.

Durante cerca de cinco minutos ele faz algumas anotações e confecciona o meu certificado de infrator. Durante esse tempo, eu penso no sono que sinto e se os meus olhos continuam tão vermelhos quanto da última vez que me vi no espelho. Olho em volta do Templo da Lei e constato mais uma repartição pública sem muita ocupação. Um PM gordinho assiste um filme velho na tv com um copo de plástico com café pela metade. Outro preenche uma ficha para uma incauta motorista, tal qual a minha e um outro joga paciência no computador. Fico procurando pelo livrinho de onde eles decoram o texto que vomitam toda vez que param um cidadão.

-Eu posso usar o banheiro de vocês?
-O senhor pode dar a volta no posto....
-Eu acho que cê não entendeu. Eu quero usar um banheiro. Não o matinho. Eu posso?
-Por favor. A primeira porta a esquerda.

Quando volto, o papel azul espera minha confissão.

-Senhor, por favor assine no local indicado. Pode conferir a segunda via, se o senhor quiser. O senhor não é obrigado, mas pode conferir a segunda via.

Eu admito o pecado rodoviário e o milico devolve meus documentos. Sou acompanhado até a porta do posto policial.

-Quanto é que custa isso?
-Não entendi, Senhor.
-Uma infração média. Quanto custa?
-A Polícia Militar do Distrito Federal não está autorizada a informar sobre valores de multas, infrações e afins, pois considera anti-ético tal proceder...
-Tá legal. Tá legal. Cê tá se divertindo com isso, né? Qual o nome do senhor?
-A minha identificação está no auto de infração que acabei de emitir para o senhor.
-Cês não deviam ter um crachazinho com o nome de vocês?
-Senhor, minha identificação está no auto de infração.
-Aqui tem um "R" envolto numa bolinha e uma numeração....
-É isso, senhor. É a minha identificação.
-Tá legal. Boa noite, senhor 11900-8.

3 comentários:

Kaka disse...

É... já ouvi isso! E também fiquei indignada! tsc tsc

Lobinho disse...

Dia 27/03/09 por volta das 09:00 da noite, em alguma BR que liga Rio Quente a Caldas Novas, me aconteceu algo parecido. Com a exceção do biotipo do guarda (o filho-da-puta que me mutou era uma gordo safado e muito provavelmente broxa) e da localização da lâmpada (a luzinha do farol baixo do meu carro tinha queimado, muito provavelmente por conta de um buraco na pista, que inadivertidamente a condutora gostosa que estava no volante do meu carro "pegou"). Resultado: R$ 103,00 pro safado comprar mais pílulas azuis pra disfunção erétil e a sexy do mês.

Hammurabi disse...

Sou completamente a favor de que haja algum tipo de concorrência entre os orgãos que podem aplicar penalidades no trânsito, como bem disse um jovem sábio, seria legal poder, numa blitz, dizer: Não. Pensando bem, não quero que a Policia Rodoviária me multe não. Prefiro o DETRAN. A multa deles é mais em conta...