Eu faço versos como quem chora De desalento, de desencanto Fecha o meu livro, se por agora Não tens motivo algum de pranto
Meu verso é sangue, volúpia ardente Tristeza esparça, remorso vão Dói me nas veias, amargo e quente Cai, gota a gota, do coração
E nesses versos de angústia rouca Assim dos lábios a vida corre Deixando um acre sabor na boca Eu faço versos como quem morre. (Desencanto, Manuel Bandeira) ___________________________________________________
Acho que deu pra sacar que eu tô saindo daqui. Foi legal. Foi surreal. Foi triste. Foi nosso. Vou continuar, vez por outra, no Clube. Também devo me aventurar em outra empreitada virtual.
Beijos, abraços, apertos de mão e acenos de longe. Ah, e o último que sair, apaga a luz.
Sempre fui do tipo que gosta de reuniões. De rir junto. De apagar incêndios. De fazer a paz.
Não é autopromoção.
A reunião que eu gosto não é qualquer reunião. Eu não acho graça de todo mundo. Eu deixo muito circo pegar fogo e mesmo não gostando de guerra, pra algumas eu lavo as minhas mãos.
Acabou a faculdade.
O fim foi meio melancólico. Nos dividimos. Nos vimos no meio de situações pelas quais não agimos em prol, não as imaginamos antes e mesmo não as queriamos. Apenas fomos arrastados à uma ruptura em vários sentidos. Casais, amigos, grupos, sonhos e futuros foram separados pela intrincada rede de acontecimentos que permeia e caracteriza a nossa vida.
A vontade é manter algum traço de união.
É por isso que planejamos festas, organizamos reuniões, avisamos que tem boteco na quinta. É por isso que eu adicionei mais pessoas no orkut nos últimos meses do que eu adicionei no último ano. É por isso que idealizamos a clínica.
O tempo e a distância são implacáveis.
Alguns contatos, não amigos, permanecerão algum tempo no MSN, Orkut e Facebook. Com o tempo alguns serão bloqueados. Outros já o são agora. Em pouco tempo seremos diferentes uns dos outros e indiferentes uns aos outros. Vamos crescer um pouco mais.
Talvez restem lembranças.
Vamos crescer, vamos envelhecer, vamos casar, vamos nos mudar, vamos ter filhos, vamos enlouquecer, vamos reformar, vamos ter sucesso, vamos fracassar e vamos morrer. A gente vai se topar num bar; em alguma festa; na rua; num shopping; num enterro. Vamos dizer: "Oi, caramba! Quanto tempo! Como você tá mudado!". E no fim , a gente vai se despedir assim:
Fazia algum tempo que eu não conseguia chorar, de verdade, por algo que não fosse necessariamente triste. Sabe? Só se sentir emocionado a ponto de chorar.
Enfim, como pra tudo na vida, eu sei que tem uma razão externa que desencadeia reações em mim e que consequentemente geram mudanças no meu mundo. Eu não vou dizer qual é a razão pro meu choro, por que no fim das contas eu acho que ela não é muito importante. O importante mesmo é a reflexão que vem junto com o choro. E a primeira coisa que eu pensei foi:
-Thiago, o que você está fazendo?
Pode ser que essa pergunta já estivesse no meu inconsciente antes de assumir todo esse simbolismo. Muita gente me pergunta isso todos os dias. A minha mãe me pergunta isso. A minha chefe me pergunta isso. A minha namorada me pergunta isso. O Twitter me pergunta isso.
Só que fazia tempo que eu não respondia algo que não fosse substancialmente lacônico como: "eu tô vendo TV", "Eu tô respondendo os e-mails do incompetente de Goiânia", "Eu tô tentando ser engraçado pra você", "Eu tô chutando o cachorro".
Mas indo um pouco além dessa epiderme de vida, tem muita coisa que eu também tô fazendo. É fato que eu tenho vivido como um doente. Eu tenho entristecido minha mãe. Eu tenho maltratado o meu cachorro. Eu tenho bloqueado muita gente no MSN. Eu tenho reclamado demais e feito muito menos.
A vida passa, o vigor cessa e eu tenho agido como se estivesse apenas esperando o meu dia chegar. Eu começo a admitir que eu tenho aspirações imediatistas, como melhorar de emprego e beber cada centavo dos três mil reais que eu vou pagar pela minha formatura. São, como eu disse, aspirações imediatistas em vez de sonhos e projetos. Esse estilo de vida tem afastado boas pessoas que realmente importam e atraido outras tão hedonistas quanto eu.
Eu agradeço então a Deus pelos bons amigos que ainda me cercam e para os quais eu sei que sou realmente inestimável. E assopro a poeira de sobre os sonhos que eu enterrei em algum lugar do esquecimento.
Eu quero sair de Brasília mas não pode ser apenas por puro asco da cidade. Tem que ser por que eu quero a qualidade de vida que eu não consigo ter aqui. Independente dos obstáculos presentes, eu sei que é possível que eu me especialize na área que me traga maior realização profissional. Eu quero ir a São Paulo com tempo suficiente pra encontrar o Lucas e bater um bom papo tomando aquela cerva. Eu quero me sintonizar com a pessoa certa, que talvez eu já tenha encontrado, e só precise ficar aberto para o que ela quiser me oferecer.
Por hoje já foi muito bom ter revisto o Pepe e ter esboçado a composição de uma música com ele e o Fernandinho. Foi ótimo saber do nascimento do bebê do Andy e foi muito bom ter tido esse facho de reflexão.
Agora tá na hora de dormir. Mas eu quero amanhecer com esse mesmo espírito pra encarar a vida tendo dentro de mim um dia ensolarado, ainda que lá fora arme-se uma tempestade.
Geralmente antes de começar a postar alguma coisa sempre me vem uma frase que eu considero de maior efeito ou que automaticamente levaria o leitor a se envolver com o texto, como que familiarizando-o. Hoje essa frase de efeito não veio. Deve ter perdido o ônibus que eu peguei e ainda deve tá lá na parada em que eu sempre desperdiço bons minutos da minha vida.
Sinceramente eu não queria que o clima fosse assim tão melancólico, mas o problema é que os dias tão cada vez mais sombrios. Nunca a famosa frase do Tio Chagas: "A ignorância é uma benção", ou a variável mais poliana da Talita: "a ignorância é a mãe da felicidade" fez tanto sentido como agora.
Pode ser efeito dos filmes que eu ando vendo. De uma tacada eu assisti Presságio (Knowing, Paris Filmes,2009), Independence Day (Independence Day, Fox, 1996) e uns traillers do 2012 (2012, Columbia, 2009).
A idéia do fim assombra. Eu já disse uma vez que a gente carrega a centelha da eternidade, por isso a gente não gosta de pensar a própria morte.
Então é isso? Eu nunca imaginei que o conhecimento pudesse ter limite. Mas a impressão é que nós estamos chegando muito perto do máximo de nossa capacidade de armazenamento e compreensão. Se o Tio Darwin estiver certo, eu acho que a raça humana não teve tempo suficiente pra evoluir a ponto de poder comportar toda a carga de informações que é lançada sobre ela diariamente.
A gente sempre soube que a Record é bancada pela Igreja Universal do Reino de Deus. Só que nem sempre a gente se deu conta de que a Globo sempre foi bancada com dinheiro público, o que é mais imoral ainda. E mais. Se a Record tem presença cativa nos púlpitos neopentecostais da igreja do bispo Macedo, não deixa de ser notório o envolvimento explícito da Rede Globo com o espiritismo, tema constante de seus folhetins e sempre alvo de marketing positivo na grade de programação da Platinada.
Todo mundo sabia que o Sarney roubava há mais de 25 anos, quando entrou pra política. Mas o povo não tava nem aí. Tinha até o lance da galera achando engraçado ser "fiscal" do Coronel do Maranhão.
Por que justo agora a galera tá se sentindo enojada, colocando nariz de palhaço e tocando o tema do Poderoso Chefão quando o Sarney passa? Mas que pá de povo burro! Ou seria povo de memória seletiva demais?
Por que agora o povo tá zoando com as caretas do Collor? O povo que hoje se enoja das caretas do senador e apoia as pilhagens do CQC é o mesmo povo que antes achava o Collor um tesão (Ah, galerinha pop que chupa as bolas do careca do CQC! O senhor Marcelo Tas vive na FIESP¹ e é um dos garoto-propaganda do Senhor Burns Serra).
Todo mundo achando ridículo o Lulinha Marolinha chafurdando na lama do senado, abraçando todo tipo de porco. Comportamento no mínimo esquizofrênico um líder tão aclamado internacionalmente beijar as botas desses coronéis. Mas o Sapo Barbudo sabe que tipo de desgraça DEMoníaca pode assumir a presidência do Senado se o El Bigodón cair. Os tucanos voam como urubus em cima da crise que eles mesmo inventaram.
Todo mundo sabe disso.
Mas não pense você que eu tô com a outra galerinha que acha que manter a hegemonia do torneiro-mecânico é o melhor pro Brasil. Dilma nem pensar. Não sinto firmeza nesta senhora e imagino que ela seria apenas uma marionete nas mãos de gente como o Genoíno e o Dirceu.
Torço para que a Marina se candidate. As chances de que ela vença as eleições de 2010 são ínfimas. Principalmente se ela se filiar a um partido podre como o PV. As propostas de campanha que ela provavelmente defenderá também não estão de acordo com o tipo de barganha a que o povo brasileiro está acostumado a lidar. Desenvolvimento Sustentável? Proteção pra Amazônia? Expurgo da floresta de ONG's estrangeiras oportunistas?
Pro brasileiro isso é grego.
Em geral, o nordestino tá querendo o arroz e feijão certo de cada dia. Amazônia é coisa de índio. Pode mandar tocar fogo naquele matagal.
Pro pessoal do Centro e Sul do País, o melhor a se fazer é se livrar do nordeste, declarar independência e vender a Amazônia pra gringada.
Marina da Silva na presidência é uma Utopia. Se por algum milagre inexplicável e fora de cogitação, pelo menos pra mim neste momento, ela fosse eleita, teríamos um motivo de orgulho muito maior do que o Lula frente as demais nações do mundo. Ela representa um ideal de honestidade e luta que não é perceptível em nenhum outro político brasileiro. Nem mesmo no Lula.
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¹ TAS, FIESP e RPNC: O Careca do CQC, que sempre faz uma pose de cidadão indignado no programa da Band, é assíduo frequentador da FIESP, um antro da Direita. Ele é brother de um playboy chamado Sérgio Morisson, que promove o movimento Rir Para Não Chorar (RPNC). Ultimamente o RPNC distribuiu narizes vermelhos para que meia dúzia de palhaços protestassem contra o Sarney e os incentivou a exigir, via Twitter, a renúncia do senador comedor de farinha de puba. Esse movimento descende do CANSEI, outro rompante da classe média desocupada de São Paulo, que teve a audácia de fazer campanha política às custas do sofrimento dos parentes das vítimas do acidente da TAM em 2007.
Enfim, o que eu acho engraçado, e eu acho graça pra não chorar, é que o careca finja fazer jornalismo humorístico-investigativo, quando na verdade tem cor partidária. E ela é de um azul-tucano da cor do FHC.
Quando começou a onda da galerinha dizer que o Orkut era coisa de brasileiro e indiano sub-desenvolvido, que chique mesmo era ter um Facebook, eu não liguei.
Minha mãe atende o telefone e depois fala pra mim:
-Thiago, é a D. Luzia. Ela quer que você vá dormir na casa dela hoje pra fazer companhia pro Vitinho.
Eu não penso duas vezes. Sigo pra casa da esquina. Levo o meu Super Nintendo, com os cartuchos do Mario World, Toy Story, Lamborguini e Top Gear debaixo do braço junto com meu travesseiro.
Ver o moleque que eu idolatrava numa situação fragilizada não diminuia o tamanho dele na minha vida. Era um privilégio. O meu herói precisava do meu apoio. E eu ia estar lá. Para o que ele precisasse.
Isso aconteceu quando eu não devia ter mais de 11 anos. Eu ainda era o Tatu-Bolinha de um post anterior.
Os anos foram passando, a gente cresceu, o mundo mudou. Tudo mudou.
Num dia eu me equiparei ao meu herói. No outro nós discutimos por causa de uma namoradinha. Depois a gente se separou e depois eu elegi outro herói no colégio, o Léo. E agora na fase adulta, se é que eu posso chamar assim, elegi o Fidel pra essa função simbólica. Os últimos totalmente diferentes do herói que jogou bola comigo aos dez anos.
Esse meu primeiro herói, que precisou da minha presença no quarto quando perdeu o irmão mais velho, se desvencilhou não só de mim mas também da própria vida. Ele se envolveu com drogas. Ele se envolveu com bandidos. Ele foi preso. Duas vezes.
Eu me orgulhei do dia que a gente se reconciliou. Pedi desculpas. Disse que perder a amizade dele nunca foi o que eu quis. Quando ele saiu da cadeia pela segunda vez, eu, contente, dei dois tapinhas de leve no rosto dele.
A gente se reconciliou mas não voltou a ser amigo. A gente se falava na rua. Era um "E aê, Vitão", que era respondido com um "Fala, Thiagão". E só.
Agora são 23:56 do dia 20 de julho de 2009. O Vitão já não é mais. O corpo dele ainda deve estar ali na rua que atravessa a minha sendo apreciado pela polícia, curiosos, parentes e amigos. Não soube muito, mas ao que parece, alguns menores sairam de um pálio prata e dispararam contra ele no rosto. Quando ele caiu, eles continuaram. Disseram que ele ficou desfigurado.
Justo o Vitinho. O mais bonitinho da turma. Que todo mundo amava. Todo mundo amava ele.
Devia já cursar o ensino médio quando li um livro chamado Baleiro, Balas do escritor Antônio Marchetti. A temática do livro era sobre um rapaz que sofria abusos físicos pela madrasta e pelo pai e fugia para uma cidade que tinha trejeitos de ser Salvador-BA. Lá ele se tornava vendedor de balas num cinema pulguento e, a duras penas, galgava degraus até um patamar mínimo de dignidade. Em certo trecho do livro, o protagonista reflete sobre um comentário de outro personagem sobre a natureza da virtude. Este personagem, um dono de cantina, declamava sua filosofia de marmita sobre um outro baleiro de boa reputação:
-O que é bom já vem feito!
Essa premissa chocava-se com toda a idéia que o rapaz tinha da educação como sendo algo construído e moldado ao longo da vida. Para ele não só o caráter acadêmico, mas também a constituição moral eram trabalhados ao longo dos anos e, caso contrário, corria-se o risco de tornar-se o homem um animal degenerado pela sociedade e pelos vícios que ela oferta.
Meu ponto de vista sempre coincidiu com o desse personagem. As pessoas não são más simplesmente por nascerem más ou são boas por nascerem boas. As pessoas aprendem a ser boas ou más. Aprendem a ser egoístas ou altruístas. Corajosas ou covardes.
Contudo, uma semana atrás um episódio me fez refletir sobre esses conceitos e em como eles podem ser flexíveis.
Um garoto que mora na rua de cima à minha casa estava sendo surrado por três homens corpulentos que o acusavam de ter roubado um celular da namorada de um deles.
A discrepância entre a estatura física dos envolvidos era enorme, mas os homens não tinham piedade. Quando o menino estava quase inerte, um outro rapaz que não deve pesar mais de 60 quilos se pôs entre os homens e o garoto. Arriscou a pele, literalmente, por outra pessoa a qual ele nem mesmo tinha segurança quanto à inocência.
Mais uma história dessas de coragem que a gente escuta pelas esquinas. O diferencial pra mim era que eu nunca tinha reparado naquele moleque magrinho. Conheço ele desde o início da adolescência. O pai é um alcoólatra que, até onde eu sei, já foi acusado de abusar sexualmente de uma criança deficiente. Também soube que havia iniciado sexualmente um garoto que mora no fim da rua e este garoto veio, posteriormente, a se assumir homossexual. A mãe do herói sempre se mostrou alguém distante. Raramente eu a vi sair de casa e sempre aparentava uma tristeza profunda.
Independente disso ele sempre foi boa praça. Não gostava de beber. Não andava com o pessoal barra pesada. Sempre foi bem quisto pela vizinhança e pela molecada.
O Skinner vai me dizer que eu não tive acesso a todas as contingências. Que ele tem reforçadores que estimulam o comportamento altruísta e por aí vai.
Eu sei, eu sei. Mas isso não diminui nem um pouco a minha admiração. Talvez eu tivesse muito mais condições de ter aprendido a ser alguém mais altruísta e, mesmo assim, acho que eu nunca fiz nada que se equiparasse ao ato do Emerson.
Acho que é por que nem todo mundo nasceu pra ser herói.
-Ow!!! Eu peguei uns vídeos emprestados com o Caju e entre eles tinha um pornô do Irmão Urso!
Eu:
-Um filme pornô do Irmão Urso? Como assim? Ele andou filmando as saliências dele?
Marcão:
-Seu pervertido. Cê não entendeu. É um DVD que era do Irmão Urso. O DVD. Não era ele que tava no filme não, seu louco.
Eu:
-Ah bom! Imaginei que a mulher dele tinha gravado as brincadeiras só pra ficar censurando depois. Tipo "Eu esperava um longa-metragem e você me vem com esse curta?"
Nem bem ao terceiro dia. Nem no quarto. Nem no sétimo.
A verdade é que foram meses difíceis esses primeiros de 2009. Época de profundas mudanças e também época de retomada de consciência. Mas pelo menos estamos aqui. Vivos. Que dizer. Nem todo mundo.
A gente se vê no Dia do Juizo, MJ, Clô, Fawcett e Vovó.
Também não dá pra ser egoísta ao ponto de dizer que o ano tá sendo cabuloso só pra gente. O Brasil todo passou por maus bocados. O mundo todo tá passando uns perrengues.
Uma turma de especuladores deu origem à maior crise financeira mundial desde o Crash de 1929. De uns porquinhos mexicanos veio a maior causa de histeria sanitária desde as galinhas gripadas da China e das vaquinhas pancada da Inglaterra.
Agora tem o Ronaldo no Corinthians. Tem o Kaká no Real Madri. Tem um negão na Casa Branca. E o negão acha que o Lula é o cara.
Lula continua sendo um caso à parte. No Brasil ninguém dá muita trela pro Sapo Barbudo. Ele parece o menino mais novo que é o café-com-leite na brincadeira de pique-esconde. Ele fala uma asneira do tipo "um país que consegue tirar petróleo a seis mil metros de profundidade também pode tirar um avião do fundo do mar". O William Boner dá uma risadinha sarcástica e passa a mensagem, nas entrelinhas, de que "a gente só tá tolerando esse jumento por que é conveniente".
O Lula aceita esse tipo de coisa em nome de uma indecência chamada governabilidade. Quer dizer que ele se entrega como uma puta em troca de apoio político. Em troca de um elogio da Miriam Leitão. Em troca de um tapinha nas costas por alguém do PSDB. Não a toa ele saiu em defesa da múmia do coronel Sarney. Conseguiu dizer que ele não pode ser julgado como um homem comum. Nesse ponto eu até concordaria, se o que ele quisesse dizer é que o homem comum tende a ser honesto, o que não é o caso do sanguessuga dono da Capitania Hereditária do Maranhão.
Enquanto O Cara se anula, o Gilzinho bota pra quebrar. Gilzinho não se contentou só com a deplorável cena da dupla soltura do almofadinha banqueiro. Gilzinho também se ocupou em destruir a carreira do delegado que deflagrou a Satiagraha. Gilzinho detonou o diploma de jornalismo, abrindo caminho para que imbecis como eu possam ser convidados a escrever no lugar de alguém especializado e, por fim, Gilzinho teve a cara de pau de discutir com a figura que mais impõe respeito dentro do STF, o ex-faxineiro Joaquim Barbosa o, segundo a Veja (aposto que o Civita se arrependeu dessa), Paladino da Justiça no Brasil.
Enfim. Aconteceu coisa pra caráleo nesses meses. Aqui no Confraria eu fui obrigado a engolir a demissão do Paulinho. Engoli forçado, como eu engulo os chás de gengibre com alho que a minha mãe faz quando eu tô gripado. Mas enfim. Amor só é amor quando se tem liberdade. Então voa passarinho, voa!
Não pra compensar a falta do Fidel, mas pra somar um talento ao nosso Rotary particular, eu admiti o Marcinho aqui. Não escreveu uma linha até hoje, mas me faz muito bem olhar o blogroll e ver o nick do Prestativo. Ele tem estado muito presente na minha vida, então ele tinha que vir pra cá também.
No mais é isso povo. Último ano da maior parte dos candidatos a psicólogo da Confraria. Último ano do Lula e do Gilzinho. Último ano do MJ, do Clô, da Fawcett e da Vovó.
Foto tirada na sala de psicodrama. De cabeça pra baixo e com a data desatualizada A Elis aparece ao fundo.
Um Cachorro Bravo escreve:
Eu tava com um pouco de medo de voltar aqui. Imaginei que depois que o Fidel vazou, algum fantasma podia tá assombrando esse blog. Ainda bem que o Lobinho e o Perturbado não deixaram a peteca cair durante esse meu tempo de ausência. Vlw bois, v6 saum mto leckais jaum!
Mas enfim.
Isso também não significa uma volta. Eu tenho duas semanas muito complicadas pela frente. Imagino que elas vão servir como uma espécie de prova de fogo. Se eu sobreviver no final, estarei mais preto do que o normal (riminha idiota). Eu tenho os relatórios dos estágios I e II pra fazer e tenho que me preparar pra um desconhecido futuro no tribunal. Né Perturbado? Mas, nesses quinze minutos de coragem que eu tive repentinamente, eu vou postar sobre os últimos acontecimentos no IESB. Dona Eda tá tocando o terror e resolveu dispensar 69 (ui!) professores da faculdade que não possuiam especialização ou pós-graduação. Isso por que ela pretende transformar o IESB em UnIesb ou Uni-Iesb sei lá. Fuck! Enfim, a senhora Coutinho quer transformar a faCU em CU (Centro Universitário). O problema maior, segundo os alunos dos cursos mais afetados com as demissões em massa, é que queimaram professores de renome, que os faziam se orgulhar da instituição onde estudavam. Dentre os demitidos estão Leandro Fortes, Olímpio Cruz e Aliene Coutinho. Nomes reconhecidos em todo o Brasil. Ontem, 10 de Junho, rolou um tumulto básico na faculdade. Alunos, majoritáriamente dos cursos de comunicação social, promoveram apitaços, panelaços, e mais alguns aços na faculdade enquanto era aplicada a avaliação do EDAD (Segundo alguns colegas, uma versão frajuta do ENADE). Resultados aparentes: apenas um sustinho na Dona Eda, que teve que sair fugida da faculdade e o fechamento parcial da L2-Sul, no sentido Sul-Norte.
Todo mundo comigo: Eda! Cadê você! Eu vim aqui só pra te ver!
Óia os homi jaum!
Não queremos Confusão! Queremos Educação!
Eu tava tomando conta da minha turma de orientação profissional, cuidando pra por a pivetada dentro da van quando vi alguns colegas da psicologia. A mais animada era a Fernanda, com nariz de palhaço e apito na boca.
Bem como é de conhecimento eu não sou um contribuinte fiel da confraria (na verdade deve ser o meu primeiro post), mas achei interessante colocar aqui uma odisséia romântica. Como de costume esta época do ano eu fui visitar alguns amigos em algum lugar no fim do mundo deste meu país, acompanhado de um depressivo e um rapaz com “TOC”. Nosso estoque etílico para variar estava bem completo, mas devido à nova lei de trânsito tivemos que percorrer longos 300 Km sem uma única gota, o que me deixou bastante frustrado.
Para compensar tal frustração, ao chegar "enchemos o caneco" é claro, aí a festa estava completa... O depressivo de repente tinha mais amigos que flamenguista em decisão no maracanã. Junto com ele apareceram figuras inimagináveis (inclusive um cidadão que horas depois estaria gritando para todas mulheres que via "BUNDINHA, BUNDINHA, BUNDINHAAAAA!!!!"). Mas foi quando em um olhar inocente, ele viu aquela moça. Em uma noite bem singela onde tudo de repente fez sentido na vida deste pobre rapaz. Aquela moça em que aparentemente ninguém se atreveria a uma cantada, lá foi o nosso nobre guerreiro, o nosso SÃO JORGE do interior. Não fez cerimonia e fez a felicidade de mais uma mulher. Garanto a todos que conforme inspiração na música TEOREMA DE CARLÃO da banda Pedra Letícia, este rapaz que deixou de ser depressivo no "ato", no céu ele guardou seu lugar...
Um Cachorro Bravo escreve: Hoje me aconteceu algo muito interessante e muito engraçado. A graça foi por conta de quem me abordou, por volta das 12:30 numa blitz da polícia federal lá na BR040. Explicação da piada nº1: Policial federal me parando numa blitz, 12:30, fazendo uns gestos com os braços do tipo John Travolta em Embalos de Sábado à Noite (vídeo abaixo) indicando onde eu deveria parar.
Explicação da piada nº2: 12:30 o policial fez um gesto engraçado pra mostrar onde eu deveria parar e me cumprimenta com "Bom dia Senhor" para pedir os documentos. O cara estava realmente trabalhando, e muito puto provavelmente a esta hora. Passada essa risadinha inicial, entreguei os documentos e aguardei sua "averiguação nos documento" pensando: putz, tomei uma multa a pouco mais de uma mês por causa de uma lâmpada safada que queimou na viagem de comemoração do meu aniversário. Só falta esse safado pedir pra eu sair e encrencar com o extintor. Que bosta! Quem vai pensar no extintor quando alguém estiver roubando o seu carro, estiver te roubando dentro do carro ou até mesmo se o carro capotar e começar a pegar fogo? Cada coisa idiota que a gente tem que engolir como lei. Depois do "medo, cagaço e amarelão" de pensar em ter que amargar em, por baixo, R$150 mais uns 3 pontos na carteira, o policial simplesmente vira pra mim e diz: "Bem Senhor, esta tudo certo. Tenha um bom dia!" Mas ele não disse isso com altruísmo de uma polícial que vê um cidadão honesto, digno, que paga a merda do IPVA, seguro DPVAT (pra que esta merda?) e o licenciamento (e essa então? já não basta o IPVA e o seguro DPVAT?) e se sente orgulhoso de ver que a sociedade, e porque não a humanidade, tem "jeito", diferente do "jeitinho brasileiro" (isso deveria ter me acontecido antes da prova do Moreno por Eveline). Não. Ele não me liberou satisfeito, de bom grado. Nada disso. Eu vi o desapontamento nos olhos dele. Eu via tristeza na face de uma pessoa, às 12:30 mais ou menos, trabalhando e não tendo resultado nenhum com isso. Eu vi a mesma frustração que alguns passaram, passam ou passarão no exercício de nossa profissão ou no exercício para nossa futura profissão. Foi isso que eu vi. Eu ainda tentei reparar o mal que havia feito oferecendo uma olhada na caçamba. Mas não; o policial estava desolado de mais. Seguindo o lema que um filósofo contemporâneo disse certa vez "a gente não pode dar mole para o azar", liguei o carro e fui embora, mas se fosse a policial aí de baixo eu certamente teria oferecido o extintor só pra alongar a conversa e deixar o "jeitinho" falar por si.
Um Cachorro Bravo escreve: Um tempo atrás eu recebi um e-mail daquele tipo mensagem motivacional em Power Point sobre o processo de renovação da águia. Muita gente deve ter recebido essa mensagem com um pedido final de enviar a pelo menos dez outros amigos mostrando o quanto você os ama e blá, blá blá... Era sobre como supostamente a águia tem que, em determinada fase da vida, agir para prolongar seu tempo de vida. Ela teria que isolar-se no cume de uma montanha, quebrar o próprio bico, arrancar as garras e depenar-se. Durante este período ela seria alimentada por outras águias "companheiras" e então, depois de algum tempo, ela estaria renovada e poderia viver mais outros longos anos, com bico, penas e garras novos. Seria uma bela história com conteúdo bastante para uma reflexão da vida e demais lições de moral de valor inestimável. Só que depois eu descobri que um ornitólogo qualquer desses que aparecem por ai provou que essa história é uma grande bobagem, que esse comportamento jamais foi descrito em ave alguma, que a mensagem não passava de um spam romântico. Realmente é uma pena que essa história seja uma mentira que alguém inventou talvez para levantar o moral de algum amigo e que depois se tornou um viral idiota que muitas vezes é mandado pra lixeira antes de ser aberto. Eu penso isso talvez por sentir que eu tô passando por um momento como esse, da águia de mentirinha. Um momento em que eu carrego vícios que precisam ser extintos se eu quiser me manter sobrevivendo. E talvez pra eliminar essa carga eu devesse me envolver num processo de introspecção e mutilação, uma coisa quase auto-redentora, pra que no fim eu pudesse enfrentar a vida novamente. Com novas forças. Só que eu não consigo achar um cume de uma montanha. Todos os lugares parecem cheios e eu sinto uma asfixia excruciante. Eu não sinto liberdade pra quebrar o meu bico. E acho que eu morro se eu fizer isso. Mantenho ele ainda que eu tenha mais prejuízos com essa manutenção do que em lançar ele fora. E eu tenho consciência disso. E mais. Onde estão as minhas águias companheiras? De repente parece que as águias que poderiam estar me dando uma mão com isso ou estão voando a esmo ou também estão tentando se depenar. Pra essas últimas, embora eu sinta que não seria uma má idéia uma aproximação tendo em vista a similaridade da situação, prefiro deixá-las em paz pra não sobrecarregá-las com as dores do meu sacrifício. No fim, já ciente da ficção dessa historinha, proponho uma irremediavelmente mais verdadeira. Foi o padre Antonio quem me ensinou essa. A do caroço de manga. Você sabe como é que se planta uma semente de manga? Não? Pois tem um segredo. Se você lançar um caroço de manga e plantá-lo, germinará um brotinho que logo em seguida vai morrer. É um aborto do mundo vegetal. O certo, para que o broto se torne uma plantinha viçosa e depois converta-se numa árvore frondosa e frutífera, é que a semente morra antes. Você deve deixar que o caroço de manga seque completamente ao Sol. Quando ele estiver esturricado, com uma aparência cinzenta, morta, então é o momento de plantá-lo. Por que ai, por um processo que eu e o padre Antonio desconhecemos mas que provavelmente qualquer biólogo meia boca é capaz de explicar, o broto germina com força suficiente pra sobreviver. Acho que é isso que eu preciso fazer. Morrer um pouco. Vamo ver se eu aprendo a lição simples do caroço de manga, uma vez que a lição da águia, além de falsa e improvável é muito mais difícil de ser aprendida.